sexta-feira, 11 de agosto de 2006

O Amor é fodido


Tomar/ Ferreira de Zêzere, mais propriamente Pias.
Sexta-feira, 11 Agosto 2006. 23H45.

Estou sozinha aqui na “Casa dos Olivais”. Do lado direito ouso com o fone, “Os amigos do Gaspar”, traz-me recordações…Tantas! Do lado esquerdo consigo ouvir as festas de Pias (a 1km?! menos?!), “o que é que eu acho, o que é que eu acho, na minha casa esta entrando outro macho!”, cantado pela voz melodiosa de uma senhora…Quem?
Acabou “Os amigos do Gaspar”. Mudei para um álbum desconhecido, é Scalabituna! Que raio de coincidência!
Consigo também ter a percepção de todos os barulhinhos estranhos e assustadores de uma casa de campo, o estalar das madeiras, os cães que ao longe uivam, a luz ténue que por vezes tem falhas…Estarei com medo de estar aqui sozinha? Nunca gostei de ficar sozinha em casa, fui me habituando quando fui viver com meu pai aos 12 anos, quando ele chegava tarde depois dos concertos e eu deixava a luz da entrada acesa para sentir uma presença…de quem se estava só?! Não tenho remorsos de ter querido ficar…Nem nunca sequer me perguntei com seria se fosse para o outro lado. Era um facto adquirido! Foi assim que quiseram, foi assim que eu aceitei!
Já passei tanto momento bom nesta casa! Como diria o Malato, “Já fui tão feliz em Pias na Casa dos Olivais!”
Ouso a voz dos miúdos a chegar, acabou-se o sossego! “As meninas da ribeira do Sado é que é…”, vêm muito animados. As lanternas apontam para mim. Ouso “As lágrimas do Tejo”, ponho o som mais alto no portátil para todos ouvirem e digo a Nuna e a Maria que o meu namorado me costuma cantar esta música, ao que a Nuna me responde que já sabe! Fico curiosa, já sabe e eu não? “É o teu ex namorado, o Cláudio!” Seguindo com outra também muito boa, “Já arranjaste outro?”, respondo rapidamente que sim, alias dois ao que ela fica muito espantada. Grande descaramento o dela, o normal para quem tem apenas 6 anos! Mas afinal seria assim tão anormal?
Ainda a pouco ia começar a falar do feliz que aqui fui, é verdade, cometi loucuras nestes quartos, “pecados” que nunca pensei ao lado de quem nunca imaginei… Com quem? Isso agora! Não é importante e também não vou entrar em mais pormenores, mas o facto é que feliz como fui nesses dias já não sou a muito e “deus me perdoe” mas também tenho direito! Ou fiz assim tão mal a alguém e nem me apercebi? Penso que não, tive alguns precauços que podiam ter corrido melhor ou pior também é uma verdade, precauços que me deixaram na merda, com remorsos, em baixo, completamente D.A, mas a vida é mesmo assim e o Amor esse então nem se fala, é Fodido! ( Já diz o titulo do livro de Manuel Esteves Cardoso; “O Amor é Fodido”)


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