quarta-feira, 30 de julho de 2008

Dialgo entre Bartolomeu Sozinho e Doutor

- Chovia no sonho?
- Oh, Doutor, o senhor sofre mesmo de poesias, então chove nos sonhos?
- Eu, poesias?
- Não é de agora. O senhor já anda poetando há muito tempo. Por exemplo, quando o senhor me aconselha para eu cortar nas bebidas...
- Acha que isso é poesia?
- Então não é? Cortar-se na bebida? A gente pode cortar nas árvores, cortar na roupa, cortar sei lá onde, mas diga lá, Doutor, que faca corta um liquído? Só a faca da poesia.
- Você é que anda muito inspirado nestes dias, meu caro Bartolomeu.
- Ah, é verdade! Há ainda mais outra: o sonhor diz que beber me faz gota. Sabendo os litros que bebo, Doutor, é presiso muita poesia para falar em gota...
("Venenos de Deus, Remédios do Diabo" de Mia Couto)

Dedico este texto a todos os meus amigos poetas e bebados, até porque um faz parte do outro... Quando bebemos todos viramos grandes poetas!